O depoimento do estudante Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, de 24 anos, na tarde desta terça-feira (16), na sede da Polícia Federal em Foz do Iguaçu (PR), já dura uma hora e 30 minutos e não tem previsão de término.
Ele é ouvido pelo delegado Archimedes Cassão Veras Júnior, do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Delegacia Seccional de Osasco, na Grande São Paulo. O policial viajou na noite de segunda-feira (15) para a cidade do Paraná, onde o jovem foi preso.
Cadu, como é conhecido o jovem, é o principal suspeito do assassinato do cartunista Glauco Villas Boas e de seu filho, Raoni, na madrugada de sexta-feira (12). Os dois foram mortos na casa onde moravam, em Osasco.
O interrogatório desta terça teve início às 15h. Cadu é ouvido sobre a morte do cartunista e de seu filho. O suspeito já prestou esclarecimentos à Polícia Federal na segunda. Com duas páginas, o depoimento concentra-se mais no que ocorreu após as mortes em Osasco. Apesar disso, ele confessou o assassinato de Glauco e Raoni, segundo a PF. “Ele confessou que foi responsável pelas mortes e somente isso. Não entramos muito na seara do que aconteceu em São Paulo”, afirmou o delegado-chefe da PF em Foz do Iguaçu, José Alberto Iegas.
O suspeito foi levado da carceragem para uma sala reservada por volta das 14h, onde ficou aguardando o início do interrogatório.
O advogado do jovem, Gustavo Badaró, chegou à sede da PF em Foz do Iguaçu às 14h55 para acompanhar o depoimento, iniciado cinco minutos depois. Além do defensor, acompanha o interrogatório o delegado da PF Marcos Paulo Pimentel. “A gente está preferindo fazer com a presença do advogado para resguardar os direitos do preso”, afirmou Pimentel.
Ele acredita que podem surgir novos elementos a serem usados no inquérito que o preso responderá no Paraná –o jovem é suspeito de ter baleado um policial quando tentava fugir do Brasil pela Ponte da Amizade, na fronteira com o Paraguai. O delegado confirmou que será realizada uma reconstituição da tentativa de fuga até o fim desta semana.
“Há algumas divergências, se ele passou uma ou duas vezes na ponte”, afirmou. Na reprodução simulada, policiais vão tentar verificar, por exemplo, quais seriam os alvos dos tiros supostamente disparados pelo suspeito da morte do cartunista.
Prisão
Carlos Eduardo está preso desde o fim da noite de domingo (14), quando tentou cruzar a fronteira entre o Brasil e o Paraguai. Na fuga em um carro que foi roubado na Vila Sônia, em São Paulo, ele resistiu à abordagem da Polícia Rodoviária Federal. Uma hora depois, atirou em um policial federal que tentou pará-lo na Ponte da Amizade.
Caso a polícia paulista resolva pedir a remoção do preso para Osasco, o pedido deve ser apresentado pelo delegado ao juiz do Fórum de Osasco, que, por sua vez, remeterá o pedido ao juiz federal da 2ª Vara Criminal de Foz do Iguaçu, que pode autorizar ou não a remoção.
Segundo o delegado Iegas, Cadu vai responder na Justiça Federal pelos crimes de tentativa de homicídio, receptação de veículo roubado e porte ilegal de arma. O estudante já tinha contra si um mandado de prisão temporária de 30 dias decretada pela Justiça paulista pela morte de Glauco e Raoni. Até a noite de segunda-feira (15), a Justiça Federal do Paraná não havia recebido o pedido de remoção do suspeito.