A suposta tentativa de espionagem na Câmara Legislativa do Distrito Federal levou os parlamentares de oposição a pedir uma varredura nos telefones da Casa e também nos celulares dos deputados. A medida foi anunciada depois que a Polícia Civil admitiu investigar a ação de arapongas no Legislativo distrital. Dois policiais civis de Goiás foram detidos suspeitos de espionagem.
Segundo a polícia do DF, eles admitiram atuar como arapongas e portar equipamentos para instalação de escutas. “Eles assumem à Polícia Civil que prestam serviços de espionagem. Eles assumem que estavam de posse de equipamentos que tem condições de fazer esse tipo de trabalho”, disse o deputado Paulo Tadeu (PT).
Parlamentares de oposição também acreditam que um assessor ligado ao gabinete de um deputado da base aliada do governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) tenha participação no esquema. Ele foi nomeado como segurança parlamentar no mesmo dia em que a polícia prendeu a dupla de supostos arapongas. Uma sindicância foi aberta na Câmara para apurar o assunto. A assessoria do governador negou qualquer envolvimento de Arruda no episódio.
Um computador foi apreendido com a dupla e vai passar por análise da polícia do DF. Por ter confirmado a suposta ação de arapongas na Câmara, o diretor da Polícia Civil, Cleber Monteiro, foi substituído por Pedro Cardoso. “Estou tomando posse agora. Vou me interar dos fatos. Espero prestar informações o mais rápido possível”, afirmou Cardoso.
A oposição ao governo Arruda na Casa argumenta que a ação de espionagem foi arquitetada por um grupo de aliados do governador, que tenta dificultar os trabalhos em torno do escândalo do mensalão do DEM de Brasília.
O esquema envolve o suposto pagamento de propina ao governador Arruda, ao vice-governador, Paulo Octávio (DEM), deputados distritais, empresários e integrantes do governo.