Sérgio Lessa - O Popular
Depois de cinco anos de bonança, o Atlético vive sua mais torrencial tempestade. Na lanterna do Brasileirão, com 7 pontos em 11 jogos, o Dragão teve outro momento ruim ontem. O técnico Roberto Fernandes foi demitido. Neste sábado (31), o rubronegro encara o Guarani, às 18h30, no Serra Dourada, pela 12ª rodada.
Roberto Fernandes é o terceiro técnico a ser demitido neste ano. O nome de Vágner Mancini, que comanda o Guarani, adversário do Dragão, vem sendo ventilado no clube, mas a diretoria não havia definido o novo técnico até o fechamento desta edição.
“O grupo não estava absorvendo a filosofia de trabalho do Roberto. Algumas coisas estavam caminhando para perder o controle, para o lado negativo. No momento, o Atlético não pode pagar para ver”, justifica o diretor de futebol, Adson Batista, que negou ter sido pressionado pelos jogadores. “Em nenhum momento, o elenco pediu para tirar esse ou aquele treinador. Ninguém é refém de jogador aqui.”
O treinador, que ficou apenas 43 dias no cargo, não deu entrevista e fez apenas um pronunciamento: “A partir do momento em que há dúvidas sobre o meu trabalho, é melhor que eu saia. Não poderia estar à frente de um trabalho que traria mais pressão ao clube.”
Fernandes não contava com a simpatia de alguns jogadores, entre eles Ramalho e Dida, que expuseram publicamente seu descontentamento com o posicionamento com o qual estavam tendo de atuar. O primeiro nega influência na decisão do clube. “Não sou pivô de nada. Quando um jogador não joga, fica triste, mas isso é normal. Só fiz uma colocação na partida contra o Atlético (MG), porque nunca joguei de lateral”, explica o volante.
Apesar de a diretoria se esforçar em tentar poupar o elenco, o certo é que a relação técnico/jogadores era turbulenta. Porém, alguns atletas foram pegos de surpresa. “A gente não esperava uma situação desta na véspera de um jogo tão importante. Foram vários fatores que levaram a diretoria a tomar essa decisão. Quem está dentro do clube sabe o que aconteceu e até a imprensa sabe”, afirma Robston, um dos líderes do grupo.
O meia/volante alfinetou alguns companheiros. “Só está satisfeito quem está jogando. Quem não está fica de cara emburrada, falando uma coisa ali e outra aqui”, ressalta. “Espero que cada jogador coloque na cabeça que agora não há espaço para birrinhas e intrigas, porque quem vai perder com isso não é só o Márcio, o Robston e outros que estão aqui há bastante tempo. Todo mundo perde. É hora de refletir, falar menos e jogar mais”, adverte.
“Para mim, o Roberto estava fazendo um trabalho tranquilo. Depois do que aconteceu hoje (sexta-feira), estou preocupado”, diz o volante, que viveu experiência semelhante em 2005, quando esteve no Brasiliense, que trocou de técnico quatro vezes e foi rebaixado.
FICHA TÉCNICA
ATLÉTICO: Márcio; Dida, Daniel Marques, Welton Felipe e Thiago Feltri; Agenor, Ramalho, Robston e Anailson; Pedro Paulo e Rodrigo Tiuí. Técnico: Reinaldo Gueldini.
GUARANI: Douglas; Apodi, Rodrigão, Fabão e Márcio Careca; Renan, Paulo Roberto, Baiano e Mário Lúcio; Mazola e Diogo. Técnico: Vágner Mancini.
Local: Estádio Serra Dourada. Horário: 18h30. Árbitro: Leandro Pedro Vuaden (Fifa/RS). Assistentes: Márcia Caetano (FIFA/RO) e João Gomes Jacome (AC). Ingressos: 20 reais (arquibancada) e 30 reais (cadeira) – mulheres pagam meia-entrada.
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